Quase 900 mil ovos por dia: descubra a história por trás da tradicional Festa do Ovo de Terenos

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12ª edição da festa começa nesta sexta-feira (11), com shows sertanejos, gastronomia e programação cultural

‘Ovos de ouro’: a história dos imigrantes japoneses que refizeram a vida em Terenos no pós-guerraChegada das primeiras 9 famílias à Colônia Várzea Alegre, também conhecida como Colônia Jamic. (Foto: Reprodução /Arquivo Colônia Várzea Alegre)

Uma das festas mais tradicionais de Terenos, a cerca de 40 quilômetros de Campo Grande, começa na sexta-feira (11). A celebração nasceu para homenagear o espírito empreendedor da comunidade de imigrantes japoneses que ajudou a construir a história do município. E não é por acaso que o evento leva o nome de um dos principais símbolos dessa trajetória: o ovo.

O nome da festa faz referência à expressiva produção da Camva (Cooperativa Agrícola Mista de Várzea Alegre), formada por produtores ligados à colonização da antiga Fazenda Várzea Alegre. Atualmente, a cooperativa reúne 26 cooperados e produz cerca de 882 mil ovos por dia, movimentando a avicultura e contribuindo para a economia de Terenos.

Em 1959, nove famílias deixaram o Japão em busca de uma nova vida e chegaram à região de Terenos. Depois de uma longa viagem de navio e trem, os imigrantes desembarcaram na estação Pedro Celestino e seguiram para a Colônia Várzea Alegre, onde a empresa colonizadora Jamic (Japan Migration and Colonization) já atuava.

Força da agricultura

A expectativa dos japoneses era encontrar uma região semelhante às imagens do Brasil que conheciam ainda no Japão. O cenário, porém, era diferente: em vez das grandes árvores imaginadas, encontraram uma área de campos e pastagens. Como a região era marcada por áreas alagadiças, o grupo escolheu o nome Várzea Alegre. Nas décadas seguintes, outras dezenas de famílias chegaram ao local, embora parte delas tenha seguido para outras cidades e estados.

Os primeiros anos foram de dificuldades. A tentativa inicial de viver da agricultura não prosperou e a comunidade enfrentava a falta de infraestrutura básica. Não havia água encanada nem energia elétrica, que só chegou em 1980. O telefone demorou ainda mais e só se tornou realidade na década de 1990. A proximidade com o Rio Cachoeirinha também fazia parte da rotina, inclusive com registros de encontros perigosos com sucuris.

Imigrantes com cobra de 6,5 metros que quase matou funcionário. (Foto: Reprodução/Arquivo Colônia Várzea Alegre)

A transformação da economia da colônia começou quando a produção de ovos surgiu como alternativa para garantir a permanência das famílias. Em 1960, a empresa colonizadora forneceu 500 pintinhos para cada família. A criação de aves ganhou força e, dois anos depois, em 12 de dezembro de 1962, foi fundada a Camva. A atividade cresceu e se tornou uma das principais marcas da comunidade.

Com o passar dos anos, a produção de ovos aproximou a colônia do município de Terenos e ajudou a fortalecer a relação entre os moradores, a cooperativa e o Poder Público. A parceria também deu origem à Festa do Ovo de Terenos, que passou a celebrar a atividade econômica e a cultura dos imigrantes. Hoje, a tradição também é preservada por meio da Associação Esportiva Cultural Nipo Brasileira de Várzea Alegre, que mantém eventos e atividades voltados à comunidade.

Festa

A Festa do Ovo chega à 12ª edição neste ano. Segundo a prefeitura, a programação reúne música, gastronomia, cultura, feira de economia criativa e atividades para a comunidade. Nesta sexta-feira (11), a programação musical começa às 18h, com apresentações de Ricardo Moura e Banda e Max Henrique, no Parque Isaac Cardoso Filho, localizado na entrada da cidade.

No sábado (12), a festa continua com os sertanejos Pedro & Otávio e a dupla campo-grandense Bruninho e Davi.

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