Dois costumes nas escolas japonesas que mostram o abismo entre a educação deles e a brasileira

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Rotina integra a formação desde 1889; no PISA, 86% dos japoneses se sentem acolhidos na escola

Enquanto no Brasil a limpeza da escola costuma ser tarefa de equipes de apoio e a merenda chega pronta ao balcão, no Japão os próprios alunos fazem as duas coisas. Nas escolas japonesas, estudantes se dividem em grupos para limpar salas, corredores e pátios e, nas séries iniciais, assumem escalas semanais para servir o almoço aos colegas. O costume, documentado pela Embaixada do Japão e pelo Ministério da Educação japonês (MEXT), integra a formação escolar e ajuda a explicar parte do desempenho do país em avaliações internacionais.

Alunos limpam a própria escola

O Japão trata a limpeza como parte da educação, não como serviço terceirizado. Segundo a Embaixada do Japão nos Estados Unidos, os estudantes trabalham em grupos para limpar as salas de aula, os corredores e o pátio da escola.

A prática não tem equivalente direto no Brasil, onde a higienização das dependências escolares é atribuição de funcionários. No Japão, o gesto reforça a responsabilidade coletiva pelo espaço que se usa todos os dias.

A merenda servida pelos próprios colegas

Nas escolas de ensino fundamental japonesas, muitos alunos recebem escalas semanais para servir o almoço aos colegas. As refeições são feitas em cozinhas da própria escola ou em centros de merenda, e depois entregues nas salas.

O MEXT descreve a merenda escolar como um “livro vivo”, porque envolve cultura regional, hábitos de higiene e gratidão por quem trabalha na cadeia do alimento. A refeição se chama kyushoku, e a política de educação alimentar é a shokuiku.

A tradição é antiga. As primeiras merendas escolares foram servidas em 1889, na então cidade de Tsuruoka, na província de Yamagata, para crianças de famílias pobres. O programa foi interrompido na Segunda Guerra Mundial e retomado em 1954, com a Lei do Programa de Merenda Escolar.

Hoje, cerca de 100% das escolas de ensino fundamental servem merenda, e mais de 90% das escolas de ensino fundamental II fazem o mesmo, segundo o MEXT. O órgão informa ainda que, em maio de 2022, havia 6.843 professores de alimentação e nutrição no país. Municípios cobrem pessoal e instalações, e as famílias pagam principalmente pelo alimento.

O que os números do PISA mostram

Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2022, da OCDE, ajudam a medir a distância. Estudantes japoneses de 15 anos tiveram desempenho acima da média da OCDE em matemática, leitura e ciências.

Em matemática, 23% dos alunos do Japão alcançaram os níveis 5 ou 6, contra 9% na média da OCDE. Na leitura, 86% atingiram o nível 2 ou superior, ante 74% na OCDE. Em ciências, foram 92%, contra 76%.

O sentimento de pertencimento também diverge. No Japão, 86% dos alunos afirmaram sentir que pertencem à escola, e a média da OCDE é de 75%. Em 2026, o país ficou em primeiro lugar entre os membros da OCDE em leitura, matemática e ciências, algo inédito nos 25 anos do PISA, segundo o Japan Times.

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