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Eterno registro de guerra: A curiosa história da pedra dos 98

Poucas horas depois do ataque a Pearl Harbor, acontecia a batalha da Ilha Wake, conflito em que in√ļmeros estadunidenses foram mantidos como prisioneiros de guerra pelo ex√©rcito japon√™s

Por Palmir Cleverson Franco em 23/10/2020 às 20:52:44
O monumento dos 98 prisioneiros de guerra na ilha Wake - Wikimedia Commons

O monumento dos 98 prisioneiros de guerra na ilha Wake - Wikimedia Commons

Entre os dias 8 e 23 dezembro de 1941, um terrível conflito foi travado em um pequeno atol — como s√£o conhecidas ilhas oce√Ęnicas com formato de anel — no Oceano Pacífico. Quase no mesmo momento do ataque a Pearl Harbor, uma ofensiva japonesa que surpreendeu os estadunidenses, a Ilha Wake foi invadida, dando início a uma batalha.

A ilha estava sendo ocupada pelos americanos desde o come√ßo daquele ano, devido ao aumento das tens√Ķes entre as duas na√ß√Ķes. Fortalecendo as posi√ß√Ķes defensivas e construindo bases militares, o Exército dos EUA dominou a regi√£o. No entanto, os japoneses decidiram colocar um fim nessa hegemonia no atol.

Bombardeios e ataques aéreos foram propagados pelo Exército Imperial Japon√™s, que conseguiu tomar o território de seus inimigos. Entre os longos dias de batalha, inúmeras vidas foram perdidas, mas, pior que isso, muitos soldados estadunidenses foram mantidos como prisioneiros na ilha.

Ataques japoneses na ilha / Crédito: Wikimedia Commons

Os japoneses come√ßaram a refor√ßar a seguran√ßa da ilha assim que conseguiram domin√°-la plenamente. O medo de uma nova invas√£o do inimigo fez com que eles se organizassem ainda mais, no entanto, crimes de guerra terríveis ainda foram cometidos por eles durante esse período.

A maior obriga√ß√£o dos cativos era construir bunkers e fortifica√ß√Ķes na ilha, tudo contra a sua própria vontade. Muitos foram enviados para locais em inúmeros países da √Āsia. Em Wake, no entanto, permaneceram apenas 98 indivíduos, contando principalmente com militares, mas ainda alguns civis.

Os 98

Um destróier japon√™s na ilha / Crédito: Wikimedia Commons

A história desses presos de guerra poderia ser contada em filmes. Eles tinham que reconstruir uma pista de pouso que foi transformada em destro√ßos no meio do conflito. Com isso feito, parecia que os prisioneiros haviam se tornado inúteis para o exército japon√™s, o que fez com que o contra-almirante Shigematsu Sakaibara tomasse uma decis√£o insólita.

Pode até parecer que os estadunidenses tinham desistido de retomar o poder na ilha, mas isso n√£o é verdade. Desde 1942 até quando o Jap√£o, enfim, se rendeu em 1945, as for√ßas dos EUA bombardearam o território periodicamente. Eles queriam de qualquer forma tomar o controle novamente.

Foi assim que Sakaibara ordenou que os 98 cativos fossem executados, a sangue frio. Todos eles foram levados para uma vala comum onde foram vendados e assassinados por uma sequ√™ncia de tiros de metralhadora. Um deles, porém, conseguiu fugir da morte iminente e esculpiu as palavras "98 US PW 5-10-43" em uma rocha na ilha.

O indivíduo foi pego rapidamente e logo decapitado pelo próprio almirante com uma katana por tamanha ousadia. Até hoje, n√£o foi possível identificar o estadunidense respons√°vel pela gravura que representa um momento curto de liberdade antes de sua morte. O local continua como um marco importante da ilha, uma espécie de memorial para os 98 mortos.

Depois da guerra

Naquele momento, os corpos foram enterrados às pressas em uma vala comum. Porém, em 4 de setembro de 1945, a rendi√ß√£o japonesa aconteceu. Sabendo disso, foi ordenado que os restos mortais dos 98 indivíduos fossem exumados e colocados em um cemitério estadunidense instalado em Peacock Point.

Para tentar encobrir os terríveis crimes de guerra, os oficiais japoneses, quando interrogados sobre o contexto, afirmaram que aquelas pessoas haviam sido mortas durante um bombardeio americano. A mentira n√£o durou muito tempo: j√° naquele ano, tanto Sakaibara e seu subordinado, o tenente-comandante Tachibana foram julgados e condenados pelas suas a√ß√Ķes na ilha.

O respons√°vel por ordenar os assassinatos foi condenado à morte, sendo enforcado em 18 de junho de 1947. J√° subalterno foi sentenciado à pris√£o perpétua. Em Wake, os corpos foram encontrados e exumados novamente, sendo levados para o Cemitério Memorial Nacional do Pacífico, em Honolulu, no Havaí. Na rocha de coral, foi instalada uma placa de bronze em homenagem aos 98 mortos.

Fonte: AH - UOL

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