A proteína Klotho foi descoberta em 1997 por pesquisadores japoneses liderados pelo Dr. Makoto Kuro-o no Instituto Nacional de Neurociência em Tóquio. O nome deriva da mitologia grega, homenageando Klotho, uma das três moiras que teciam o fio da vida dos mortais e deuses. Desde sua identificação, a Klotho revolucionou a compreensão científica sobre envelhecimento e longevidade, sendo estudada por centenas de grupos de pesquisa ao redor do mundo.
- Descoberta revolucionária: identificada inicialmente em camundongos com mutações que causavam envelhecimento acelerado
- Função antienvelhecimento: atua como hormônio circulante que regula múltiplos processos relacionados à longevidade
- Aplicação terapêutica: pesquisas atuais exploram seu potencial no tratamento de doenças neurodegenerativas e relacionadas ao envelhecimento
Como os pesquisadores japoneses descobriram a proteína Klotho?
Dr. Makoto Kuro-o e sua equipe descobriram a Klotho enquanto estudavam camundongos geneticamente modificados que exibiam sinais de envelhecimento prematuro. O estudo original, publicado na revista Nature em 1997, demonstrou que camundongos com deficiência no gene klotho desenvolviam múltiplas características do envelhecimento, incluindo vida útil reduzida, infertilidade, arteriosclerose, atrofia da pele e osteoporose.
A descoberta revelou que a superexpressão do gene Klotho em camundongos podia estender a vida útil em 30% a 40%. Isso posicionou a Klotho como um potencial alvo terapêutico para condições relacionadas ao envelhecimento, abrindo um novo campo de pesquisa na biologia do envelhecimento.

Onde a proteína Klotho é produzida no organismo humano?
No DNA humano existe o gene da klotho que produz a proteína principalmente nos rins e no cérebro, liberando-a na corrente sanguínea. No cérebro, a produção ocorre especificamente nos neurônios. Segundo pesquisas da Universidade de São Paulo (USP), é onde ocorre uma das maiores atividades da klotho, sendo fundamental para o metabolismo energético do sistema nervoso central.
Com o processo de envelhecimento, a presença da Klotho diminui naturalmente no corpo, podendo ser acelerada por doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Pessoas com essas condições geralmente apresentam quantidades menores de Klotho no organismo, sugerindo uma conexão direta entre os níveis da proteína e a saúde neurológica.
Quais são os principais benefícios da Klotho para a saúde?
Estudos científicos demonstram que algumas pessoas têm uma variação genética que confere maior proteção contra Alzheimer, Parkinson e doenças cardiovasculares. Essas pessoas também apresentam melhores resultados em testes de QI, maior cognição e maior volume do córtex cerebral. O efeito benéfico é generalizado porque a Klotho consegue agir em diversos sistemas no organismo.
Pesquisas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP revelaram que a Klotho estimula a produção de lactato, um dos alimentos dos neurônios, além de ser importante nos processos de sinalização de insulina. A proteína também exerce ação antioxidante e anti-inflamatória no sistema nervoso central, protegendo contra danos oxidativos que se acumulam com o envelhecimento.

Como a Klotho protege o cérebro contra o envelhecimento?
Uma das descobertas mais importantes da pesquisa brasileira está na relação entre a Klotho, as principais células cerebrais (astrócitos e neurônios) e o lactato. Quando o neurônio está mais ativo e precisa de mais energia, ele produz mais Klotho. Essa Klotho vai até o astrócito e o faz produzir mais lactato, que serve de substrato energético para os neurônios.
A deficiência na comunicação entre neurônios e astrócitos pode explicar parte da perda cognitiva relacionada ao envelhecimento. A Klotho atua como mensageiro entre essas células, fazendo a conexão necessária para que o astrócito possa suprir o que o neurônio precisa. Quando esse acoplamento está danificado, o astrócito fica impedido de nutrir adequadamente os neurônios.
Qual o papel da Klotho na prevenção de doenças neurodegenerativas?
Estudos recentes publicados no Scientific Reports mostraram que a Klotho consegue evitar a morte dos neurônios. Quando células de glia foram tratadas com substâncias tóxicas que provocam inflamação, a aplicação simultânea de Klotho reverteu completamente os efeitos tóxicos em concentrações menores, evitando a morte neuronal.
A proteína tem efeito anti-inflamatório e consegue reverter a toxicidade neuronal induzida nas células que protegem e nutrem os neurônios. Isso é fundamental porque o processo inflamatório está diretamente associado com doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Pesquisadores trabalham agora para desenvolver formas de encapsular e liberar doses da proteína em regiões específicas do sistema nervoso.
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Como aumentar naturalmente os níveis de Klotho no organismo?
Embora a genética desempenhe papel importante na regulação dos níveis de Klotho, alguns fatores externos podem influenciar a expressão dessa proteína. Estudos mostram que a prática regular de exercícios físicos, uma alimentação saudável e a redução do estresse podem contribuir para aumentar os níveis de Klotho no organismo.
A restrição calórica e a prática de exercícios físicos são estratégias observadas em diversos organismos que, comprovadamente, aumentam a longevidade. Atenuando a resposta à insulina sem impedi-la completamente, a Klotho consegue promover a longevidade através de mecanismos evolutivamente conservados para estender a vida útil.
A Klotho representa o futuro dos tratamentos antienvelhecimento
A descoberta da proteína Klotho pelo Dr. Makoto Kuro-o em 1997 abriu um novo campo de pesquisa que continua evoluindo. Empresas biotecnológicas como Klotho Neurosciences e ADvantage Therapeutics já desenvolvem terapias baseadas na forma secretada da Klotho (s-KL) para tratamento de doenças neurodegenerativas. Estudos mostram que elevar os níveis de s-KL em camundongos melhorou marcadores de envelhecimento saudável e estendeu a vida útil em 20%.
O próximo desafio será avaliar a toxicidade e determinar a concentração necessária para eficácia na prevenção de doenças neurodegenerativas em humanos. Com pesquisas em andamento para encapsular e liberar doses específicas da proteína, tratamentos inovadores podem surgir para conferir proteção tanto aos neurônios existentes quanto aos novos.
- Descoberta histórica: proteína identificada em 1997 por pesquisadores japoneses revolucionou a ciência do envelhecimento
- Múltiplas funções: atua como antioxidante, anti-inflamatório e regulador do metabolismo energético cerebral
- Futuro promissor: terapias baseadas em Klotho estão em desenvolvimento para tratar Alzheimer, Parkinson e outras condições relacionadas ao envelhecimento






