Obra será lançada neste sábado na Associação Okinawa e resgata pratos, memórias e tradições dos primeiros imigrantes
Em Campo Grande, a culinária japonesa — especialmente a herança de Okinawa — não é apenas comida: é memória viva, identidade e resistência cultural que atravessa gerações com sabor, afeto e história.
Por décadas, os aromas e sabores da culinária okinawana ficaram guardados como verdadeiros tesouros dentro das casas das famílias de imigrantes e nas festas tradicionais da comunidade. Receitas passadas de avós para netos, feitas com simplicidade e alma, resistiram ao tempo — e agora ganham o reconhecimento que merecem.
Essa riqueza cultural ganha forma no livro “Kwachi Sabirá – Culinária, histórias e receitas dos primeiros imigrantes okinawanos em Campo Grande”, que será lançado neste sábado, em um momento que promete emocionar e valorizar profundamente essa herança. O evento acontece na Associação Okinawa de Campo Grande, reunindo não apenas receitas, mas histórias de vida, superação e pertencimento.
A obra carrega um simbolismo poderoso: Campo Grande abriga a segunda maior comunidade okinawana do Brasil, e foi justamente essa presença marcante que ajudou a moldar uma identidade cultural única na cidade. Aqui, a tradição japonesa encontrou o calor sul-mato-grossense e criou algo novo — uma fusão rica, autêntica e cheia de significado.
O maior símbolo dessa união é o sobá, reconhecido como patrimônio imaterial da cidade. Mais do que um prato, ele representa o encontro de culturas, a adaptação e a força de um povo que transformou saudade em sabor.
Produzido ao longo de um ano, o livro é fruto de um trabalho coletivo e cuidadoso dos autores Marcel Arakaki Asato, Dirce Kimié Guenka, Nilton Kiyoshi Shirado e Renata Naomi Otto Kawano. Mais do que um registro culinário, a obra é um ato de preservação histórica — um compromisso com o passado e um presente para o futuro.
“Este livro nasceu da necessidade urgente de preservar e transmitir essa herança rica”, resume Marcel Arakaki. E não poderia ser diferente. Cada receita carrega histórias de quem chegou há mais de um século trazendo na bagagem não só ingredientes, mas sonhos, cultura e dignidade.
Para dar ainda mais profundidade à obra, foram ouvidos verdadeiros pilares da memória viva da comunidade: Cândida Adania, Jorge Tetsu Taira e Nobukatsu Higa, todos com mais de 90 anos. Seus relatos emocionantes ajudam a reconstruir os primeiros passos da imigração e mostram como a comida sempre foi um elo entre passado e presente.
Entre os pratos que ganham destaque estão o castirá, símbolo de tradição; o andagui, um bolinho doce cheio de personalidade; o arroz vermelho, carregado de significado e prosperidade; a sopa de cabrito, que hoje reúne gerações em celebrações; e, claro, o sobá, reinventado em solo campo-grandense.
Curiosamente, a ideia do livro nasceu após a visita de chefs de Okinawa, quando se percebeu que muitas receitas já haviam ganhado um toque único em Campo Grande — prova de que a cultura não é estática, mas viva, pulsante e em constante transformação.
Com apoio do governo de Okinawa, a obra foi lançada em português, inglês e japonês, levando essa história para o mundo e mostrando que, no coração do Brasil, existe um pedaço vibrante do Japão.
📍 Serviço
Lançamento: “Kwachi Sabirá”
📅 Data: 28/03 (sábado)
⏰ Horário: A partir das 18h
📌 Local: Associação Okinawa de Campo Grande
Mais do que um lançamento de livro, este será um encontro com a história, com as raízes e com o sabor de um povo que ajudou a construir a alma de Campo Grande.
