Brasileiro vê menos profissionais do país no futebol japonês

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Brasileiro vê menos profissionais do país no futebol japonês
Eu Carlos Alberto Suriano Junior, autorizo a utilização da fotos abaixo para publicação de material jornalistico descrevendo minha carreira profissional.

O Brasil teve papel importante na profissionalizao do futebol no Japo nos anos 90. A maior referncia é Zico, ídolo no Kashima Antlers e ex-técnico da seleo asitica. Mas, o galinho de Quintino no foi o único a deixar marcas por l. Dunga, Alcino, Leonardo, Bebeto, Ruy Ramos e Wagner Lopes (os dois últimos, inclusive, naturalizaram-se para defender o país) também fizeram história.

A lista é extensa e ainda hoje reflete. Os brasileiros representam, em média, metade dos estrangeiros que atuam na J-League 1 (primeira diviso local). Além disso, segundo o último Raio-X do Mercado da Confederao Brasileira de Futebol (CBF), que tem como base o período entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2018, o país-sede dos próximos Jogos Olímpicos e Paralímpicos é o terceiro destino mais procurado por jogadores do Brasil (34), só atrs de Portugal (205) e Arbia Saudita (47).

A influncia chega, também, ao banco de reservas. Nomes como Toninho Cerezo, Oswaldo de Oliveira e Nelsinho Baptista j conduziram suas equipes à glória na liga japonesa, sempre, ou quase sempre, acompanhados por auxiliares, preparadores físicos e fisioterapeutas de confiana. Normalmente compatriotas. O espao destinado a brasileiros em comisses técnicas, porém, j foi maior. É a percepo de Carlos Suriano, preparador físico do Tokushima Vortis, time da J-League 2 (segunda diviso do futebol japons), que passou 13 dos últimos 14 anos na terra do Sol Nascente.

Quando cheguei ao Japo, em 2006, havia praticamente um preparador físico e um de goleiro brasileiro em todas as equipes. Recordo que no meu primeiro ano tinham ao menos 12 preparadores brasileiros. Pessoas experientes, com nome, que me ajudaram muito. O Walmir Cruz [ex-Corinthians] às vezes dava conselhos por telefone. O Flvio Oliveira [hoje no Vasco] também. Infelizmente, com o passar dos anos, isso foi diminuindo, conta.

Carlos nasceu em So Paulo, mas foi criado em Jaú, no interior paulista. Em 2005, a equipe em que trabalhava como preparador, o XV de Jaú, venceu o estadual sub-20 superando o Santos na deciso. No ano seguinte veio o convite para mudar de ares. Um dos diretores de uma equipe do Japo acompanhou uma semana nossa em Jaú para contratar jogadores, mas ele acabou se interessando por mim e fez uma proposta, lembra.

Primeiro foram sete temporadas consecutivas no Japo (cinco no Bellmare, onde trabalhou com os brasileiros Adiel, Jean e Eduardo Marques, todos ex-Santos, e dois no Tokushima) até a volta ao Brasil, em 2013. Um ano depois, no entanto, Carlos retornou ao Oriente a convite do técnico Péricles Chamusca para o Jubilo Iwata. J em 2014 foi contratado novamente pelo Tokushima. Na segunda passagem teve o ex-So Paulo Carlinhos Paraíba como atleta.

Eu Carlos Alberto Suriano Junior, autorizo a utilizao da fotos abaixo para publicao de material jornalistico descrevendo minha carreira profissional.
Carlos Suriano chegou ao Japo em 2006 

Globalizao do futebol

A constatao sobre a presena de menos brasileiros em comisses técnicas de times japoneses coincide com a recente intensificao de técnicos estrangeiros no Brasil. Em 2020, ao menos quatro times da Série A tero comandantes do exterior: Flamengo, com o portugus Jorge Jesus, Santos, com o também portugus Jesualdo Ferreira, Internacional, com o argentino Eduardo Coudet, e Atlético-MG, com o venezuelano Rafael Dudamel. Porém, na entrevista coletiva de apresentao no peixe, Jesualdo negou que isso signifique que profissionais brasileiros no tenham qualidade, e afirmou que a mudana tem relao com a globalizao do esporte.

Carlos pensa de forma semelhante. Hoje, no futebol, só o nome j no faz diferena. O japons exige muito. Eles no tm a mesma qualidade individual que o jogador do Brasil, mas so inteligentes, sabem analisar. De 10 anos para c, talvez um pouco mais, o futebol japons evoluiu muito, analisa, citando o aumento de europeus trabalhando no Japo (o técnico do próprio Tokushima, Ricardo Rodríguez, é espanhol) e entendendo, também, que a mo de obra brasileira ficou mais especializada e cara. Isso acabou fechando um pouco as portas, reconhece.

Um pouco, talvez. Totalmente, longe disso. A última temporada da primeira diviso japonesa encerrou sem brasileiros no comando (Oswaldo de Oliveira deixou o Urawa Reds em maio para assumir o Fluminense). Na J-League 2, o Kashiwa Reysol foi campeo sob comando de Nelsinho Baptista. Além do Kashiwa, trs dos quatro times mais bem colocados (Yokohama FC, Tokushima e Montedio Yamagata) tinham preparadores físicos brasucas: Luiz Carlos Brollo, o próprio Carlos e Élcio Mineli, respectivamente.

Lógico que no se pode falar que [a campanha das equipes] foi só por esse motivo, mas é algo que d orgulho. Todos fizeram um trabalho muito bom. Foi um campeonato muito difícil. É uma exigncia grande. So muitos jogos [45, sendo 42 na fase regular e trs no playoff de acesso], ento ficar na parte de cima no é fcil, destaca. Ele também destaca a estrutura e a aposta de dirigentes japoneses em trabalhos de longo prazo. Foram apenas seis trocas de treinador na temporada 2019 da J-League 2, contra 20 demisses na série A do Brasileiro do mesmo ano.

O respeito aqui é muito grande. Ento, a partir do momento que voc mostra um trabalho e planejamento, e passa a impresso de que poder haver uma evoluo, eles confiam nisso. Voc tem tempo para trabalhar. O resultado é o mais importante, mas eles analisam o trabalho. J houve temporadas em que tivemos uma colocao ruim, só que eles avaliaram o dia a dia, a evoluo. Em 2018 ficamos no meio da tabela. No ano seguinte brigamos pelo acesso com a mesma base de atletas e comisso, afirma.

Em tempo, a subida à J-League 1 de 2020 acabou no vindo. Na final do playoff de acesso, em dezembro, o Tokushima precisava vencer o antepenúltimo colocado da primeira diviso (por ironia, o mesmo Bellmare onde Carlos iniciou a trajetória no Japo). O empate por 1 a 1 manteve o rival na elite e o Tokushima na Segundona para 2020.

Expectativa para Tóquio 2020

Tokushima fica a 503 quilmetros de Tóquio, em linha reta. Apesar da distncia, a populao da cidade vive a expectativa dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que retornam à capital após 56 anos. Com a experincia de mais de uma década vivendo no Japo, Carlos acredita em uma recepo calorosa no país. O Comit Organizador da Olimpíada colocou 7,8 milhes de ingressos à venda, sendo 70% destinados a moradores locais (só na primeira fase para aquisio, em julho de 2019, foram 3,22 milhes dessas entradas).

O povo japons abraa qualquer competio ou evento que o país sedia. Foi assim l atrs [2002], na Copa do Mundo, e agora em 2019 com o Mundial de Rugby, que nem é um esporte to divulgado por aqui, e foi sensacional. Tokushima, inclusive, recebeu os treinos da seleo da Geórgia [de rugby]. Sei que cidades próximas, como Osaka e Kobe, recebero [a aclimatao de] algumas delegaes. Espero estar aqui ainda para acompanhar, encerra o preparador físico, que seguir no Vortis por mais uma temporada.

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