116 anos da imigração japonesa: a história que agrega a cultura de MS

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O Dia da Imigração Japonesa é celebrado nesta terça-feira (18). Recordar a história é entender a cultura de Mato Grosso do Sul como um todo.

Esta terça-feira (18) marca os 116 anos da Imigração Japonesa no Brasil. Desde então, as influências nipônicas foram responsáveis por construir a identidade de Mato Grosso do Sul. Veja a reportagem em vídeo acima.

Importante destacar que o processo de imigração não marcou apenas a época, como também deixou um legado profundo em Mato Grosso do Sul. Atualmente, o estado abriga a terceira maior comunidade japonesa do Brasil, ficando atrás somente de São Paulo e Paraná.

A vinda dos japoneses para MS

Navio japonês. — Foto: Foto cedida pelo ARCA (Arquivo Histórico de Campo Grande)/ Nathália Rabelo

Navio japonês. — Foto: Foto cedida pelo ARCA (Arquivo Histórico de Campo Grande)/ Nathália Rabelo

Os primeiros imigrantes desembarcaram no Brasil, através do porto de Santos (SP), a bordo do navio Kasato Maru, em 18 de junho de 1908. Na época, o país e o Japão haviam assinado um acordo para que os japoneses pudessem trabalhar nas plantações de café do estado paulista. Então, 165 famílias chegaram à região.

Porém, as condições precárias de trabalho desagradaram muitos desses imigrantes, que vieram para Mato Grosso do Sul, à época estado de Mato Grosso, para trabalharem na construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Mas foi em 1914 que os imigrantes japoneses começaram a se estabelecer em Campo Grande, onde se empregaram na produção de alimentos e hortifrutigranjeiros.

Quem conta essa história é o Lucas Miyahira dos Santos, 23 anos, descendente japonês, que mora na capital. Representante da Associação Okinawa de Campo Grande, o jovem relembra a história dos antepassados.

Cultura interligada

Família de imigrantes em plantações de café — Foto: Foto cedida pelo ARCA/ Nathália Rabelo

Família de imigrantes em plantações de café — Foto: Foto cedida pelo ARCA/ Nathália Rabelo

“Eu sou atualmente a 5ª geração de uma família de imigrantes e descentes japoneses oriundos da ilha de Okinawa. Minha relação com a Associação tem a ver com a relação dos meus tataravós e bisavós dentro da entidade […] muitas décadas depois, eu estou de volta para me dedicar também às atividades da associação”.

É com orgulho que Lucas recorda da origem. Atualmente, ele colabora com a diretoria executiva da Associação Okinawa de Campo Grande na parte de relações artísticas e culturais.

Ele ainda explica que a maior parte da comunidade japonesa de Mato Grosso do Sul tem origem na província de Okinawa. “A gente vê a expressão dessa presença okinawana e japonesa na culinária, nas artes e no próprio cotidiano sul-mato-grossense”, explica.

Como exemplo, Lucas cita o Moai, costume que surgiu na comunidade japonesa como uma forma de ajuda. Tempos depois, o costume acabou se difundindo em Mato Grosso do Sul.

“O Moai teve origem dentro da comunidade a princípio como uma maneira de auxílio comunitário às famílias que tinham dificuldades, imigrantes que estavam desempregados ou que tinham sofrido algum problema familiar. Surgiu na comunidade como uma maneira de socorro e acabou se difundindo na nossa cidade”.

Sobá e sua relação histórica com a Feira Central

A receita do sobá veio para Campo Grande junto com os imigrantes japoneses e aqui teve modificações para atender gostos locais. — Foto: Arquivo cedido pelo ARCA/ Nathália Rabelo

A receita do sobá veio para Campo Grande junto com os imigrantes japoneses e aqui teve modificações para atender gostos locais. — Foto: Arquivo cedido pelo ARCA/ Nathália Rabelo

A imigração japonesa não apenas diversificou a cultura sul-mato-grossense, mas também enriqueceu a gastronomia local, tornando Campo Grande um reflexo da união entre as culturas.

Nessa esfera, o próprio sobá, que é um prato típico da ilha de Okinawa, se difundiu na cultura local e, atualmente, é considerado patrimônio histórico e cultural de Campo Grande.

É necessário destacar que a história do sobá e da comunidade japonesa caminha junto com a trajetória da Feira Central. Fundada em 1924, era na feirona que os imigrantes vendiam suas mercadorias.

O prato, originário da ilha de Okinawa, servia como refeição aos feirantes e logo passou a ser comercializada. Hoje, a iguaria atrai moradores e turistas devido ao sabor que passa de geração em geração entre as famílias de descendentes.

Pioneirismo

Lucas Miyahira dos Santos, representante da Associação Okinawa de Campo Grande. — Foto: Ariovaldo Dantas/TV Morena

Lucas Miyahira dos Santos, representante da Associação Okinawa de Campo Grande. — Foto: Ariovaldo Dantas/TV Morena

g1 também conversou com o Tadashi Katsuren, 31 anos, comerciante que hoje está à frente do restaurante da família, localizado na Feira Central.

Tadashi recorda ter sido criado na feira, afinal, a sua barraca já tem 42 anos de história. Então, desde criança ele acompanhava o trabalho da família. Mas foi na adolescência que começou a ajudar nos negócios.

“A família Katsuren é conhecida como a família pioneira em sobá na feira central, não exatamente o nosso restaurante, mas a família. Em 1965, o meu avô resolveu abrir uma barraca pra vender sobá para atender principalmente os próprios imigrantes que vieram pra cá”.

Tadashi Katsuren - comerciante e empresário na Feira Central. — Foto: Edmar Melo/TV Morena
Tadashi Katsuren – comerciante e empresário na Feira Central. — Foto: Edmar Melo/TV Morena
A receita que o avô de Tadashi trouxe é bem próxima da receita da própria ilha de Okinawa e aqui começou a sofrer algumas modificações para atender os gostos locais. Porém, Tadashi ainda mantém a receita original da família.
Numa cidade onde passado e presente se convergem, relembrar a história da imigração japonesa, sobretudo em Campo Grande, é preservar as riquezas culturais que moldam a nossa identidade coletiva.

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