“Lámen ou Rãmen: o prato japonês que conquistou o mundo”

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“Você sabe quando está prestes a comer um bom lámen. A tigela à sua frente no esconde segredos, pelo contrário. Conta, através de cada elemento cuidadosamente posicionado, histórias que só podem ser ditas ali, entre colheradas de caldo de peixe e algas, vegetais suculentos e macarrão pinado por hashis. Ao primeiro gole, você sabe se essas histórias serão suaves e reconfortantes ou intensas e inusitadas.”

“Há quem diga que o lámen é um prato com alma e, para fazer uma tigela perfeita, o cozinheiro deve dominar os processos como um mestre. Ao longo dos últimos anos e no embalo da aposentadoria, o engenheiro de telecomunicações Washington Takeuchi, 54, se aventurou nesta missão para valer. Viajou até o Japão, terra dos seus ancestrais, para aprender a receita ideal.”

“Lámen, rãmen, chuka soba: nomes diferentes de um mesmo prato

“Acontece que não existe uma receita certa de rãmen”, descobriu Takeuchi ao estudar sobre a origem do prato, que na verdade nasceu na China sob o nome de “lamian” e chegou ao Japão no fim do século 19 batizado de r?men. Em algumas regiões do país nipônico, como Wakayama, o prato é chamado de chuka soba. No Brasil, se popularizou como lámen.

Takeuchi conta que, na virada para o século 20, o preparo passou a ser trabalhado com elementos da gastronomia japonesa e teve dois momentos de boom: depois da 2ª Guerra Mundial, quando criaram o macarrão instantâneo, o noodle, e durante toda a década de 80.”

“Essa juventude do prato acabou dando aos japoneses dois presentes: liberdade criativa e a garantia de uma refeição rápida e aconchegante depois de um dia cansativo de trabalho. As pessoas criam novos sabores o tempo todo. Respeitando as duas regras básicas sobre o macarrão e o caldo base, o dashi, você pode testar com o que quiser.

“Com o tempo, cada região do Japão se tornou referência em um tipo de lámen, ao ponto de o país – que poderia “caber” na Bahia em extensão territorial (são 377.973 km² contra os 564.733 km² do estado nordestino) – contabilizar mais de 24 mil casas especializadas no prato.”

“Em Hokkaido, ao norte, há três principais: o Sapporo r?men, feito com um caldo rico de missô e finalizado com manteiga, frutos do mar e milho cozido, criado para esquentar o corpo durante o inverno rigoroso; o Hakodate r?men, à base de um caldo claro (mas não menos saboroso) finalizado com broto de bambu e chashu, carne de porco servida em fatias finíssimas; e o Asahikawa r?men, que tem o molho de soja como ingrediente primário.

Tóquio, a capital do Japão, exibe uma lista de opções ainda mais variadas. Em 2019, se tornou a única cidade do mundo com casas de lámen estreladas pelo Guia Michelin: Japanese Soba Noodles Tsuta,Sosakumenkobo Nakiryu eSobahouse Konjikihototogisu. “Uma delas coloca até trufa no preparo”, diz Takeuchi.”

“Washinton Takeuchi: Queria alguma coisa que me desse prazer depois da aposentadoria”. Foi assim que, depois de conquistar um diploma de chef de cozinha, o engenheiro encontrou no lmen sua grande aventura. Fotos: Letícia Akemi / Bom Gourmet”

“Por aqui, o curitibano tenta dar um toque brasileiro às receitas que aprendeu na escola em Kanagawa, no Japão. O exemplo mais recente é o inesquecível Cabotia R?men, que ilustra o início desta matéria.

Feito com caldo de abobóra japonesa e macarrão artesanal, Takeuchi acrescentou tucupi (caldo de mandioca brava) e jambu, a erva que “amortece” a boca, ao lado de um punhado de brotos de bambu, shiitake, tomate assado e o indispensável ovo cozido.

O prato foi servido em outubro no Oid?, restaurante japonês em Curitiba,em um jantar especial. Em 2019, ele organizou três noites assim para apresentar seus lámens à cidade. Por enquanto, a capital paranaense segue carente de opções variadas se comparada a São Paulo, que reúne dezenas de casas especializadas na Liberdade. “Foi a forma que eu encontrei de cozinhar enquanto não abro meu R?men Ya”. Promessa é dívida.”

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