Cooperativa Agrícola de Ourinhos: o sucesso, a perseguição com os japoneses e a chegada da falência

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Cooperativa Agrícola de Ourinhos: o sucesso, a perseguição com os japoneses e a chegada da falência

Que a colônia japonesa é a mais presente em Ourinhos já sabemos, inclusive tem uma matéria especial sobre os primeiros imigrantes no Brasil e como chegaram em nessas terras. E depois de instalados, foram responsáveis pelo surgimento do primeiro bairro rural e pela Cooperativa Agrícola de Ourinhos.

A cooperativa foi fundada em 1940, no bairro Sobra, com uma equipe de 35 pessoas liderados por Kyoji Ueno, o maior acionista e o primeiro presidente da empresa. Em uma matéria do jornal “O Momento” do dia 30 junho de 1993, o repórter Benedito Pimentel diz que “Kyoji Ueno possuía “75 cotas partes, num total de 6 contos e 500 mil réis”.

O Conselho Administrativo era composto por Hakaru Kondo, Shohachi Tatekawa, Tyuzo Sato, Kenzo Ogata, Yonezo Oda, Shigeru Tanaka e Tadatuna Watanabe. O fiscal era por Kieti Tashiro, Kioshi Koike e Minoshuki Hayashi. A empresa foi fundamental no fomento da comercialização agrícola nos bairros rurais japoneses. Incentivou a safra de cereais e dinamizou a economia do município. Mostraram uma outra forma de sobrevivência para o povoado urbano.

Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro

“O importante para os japoneses era o espírito cooperativista, onde todos os agricultores eram donos, todo mundo era sócio, servia para melhorar a situação do produtor, para facilitar a comercialização das safras. Com isso, os japoneses plantavam mais cereais e movimentava o comércio. No início, a cooperativa era muito importante porque a gente não precisava se preocupar em comercializar. Era só plantar e levar lá”, comenta Hayachida.

Os tempos difíceis também chegaram para os japoneses com a Segunda Guerra Mundial. Brasil e Japão perderam relações e os imigrantes foram perseguidos. Getúlio Vargas fez com que as empresas japonesas fossem administradas por brasileiros. Diante da situação, no dia 19 de abril de 1942 o Kyoji Ueno foi substituído por Gabriel Eugênio de Campos.

Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro
Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro

“O momento, sendo como é de verdadeira exceção, oriunda de causas não dependentes das autoridades brasileiras nem dos que professam a prática do cooperativismo no país, mas de causas que exigem o máximo de cautela para a proteção das instituições pátrias como se admite, com o consenso unânime dos que orientam a vida nacional, que se realizem a substituição dos elementos japoneses na direção dos cargos eletivos da Cooperativa por elementos brasileiros, que saberão corresponder integralmente, como é de se prever, a esta prova de confiança”, como registrado em uma ata de reunião sobre o discurso do Inspetor do Departamento de Assistência ao Cooperativismo, Raul Dias de Ávila Pires.

O pior ainda estava por vir. O governo decidiu fechar escolas de ensino da língua japonesa e foi o que aconteceu em Ourinhos. A intolerância chegou até a religiosidade quando os imigrantes foram forçados a serem batizados nos conformes da Igreja Católica.

Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro

“Se eu não fosse batizado tiravam um ponto da nota da escola – era o ponto por comportamento. Os praticantes do budismo não podiam aparecer porque era proibido, então a gente praticava dentro de casa”,comenta Hayachida.

Os diversos templos japoneses em Ourinhos são as provas de que os imigrantes conseguiram conquistar o seu espaço depois de alguns esforços. Entre eles estão o templo Budista, Percet Liberty, Seicho-No-Ie, Messiânica e Harikari.

Mas em tempos de guerra, tudo foi feito na surdina. Era importante para eles que os descendentes soubessem a língua natal, afinal, eles tinham o sonho de voltar para o Japão. O medo fez com que eles escondessem seus documentos e pertences do país de nascença.

“Meu pai tinha um binóculo. A polícia brasileira tomava todas as armas que os japoneses tinham. Binóculo não era arma, mas como meu pai foi do exército, tinham medo de que pegassem dele e daí meu pai deu para o dono da fazenda. Muita gente escondia coisas no telhado, fazia buraco e escondia. Eu, por exemplo, não podia pegar ônibus. Morava em São Pedro e para ir para Santa Cruz precisava ir à delegacia tirar salvo- conduto”, relembra Hisao Kobata.

Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro
Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro

Enfim, a primeira sede da cooperativa era um rancho de sapé. Tempos depois, foi transformado em casa de tábuas, somente em 1949 que foi construída a sede definitiva na Rua Antônio Prado. O auge foi entre 1941 até 1978. E há probabilidade de existir diversos motivos para a cooperativa chegar a falência, mas a política econômica nacional ganha destaque na história.

Além dos agricultores perceberem a possibilidade de lucrar mais produzindo a própria safra sem ter a intermediação de uma cooperativa. Lavradores tinham pouco dinheiro e aprenderam a fazer negócio trabalhando na empresa. A cooperativa foi se esvaziando aos poucos.

O êxodo rural também é visto como uma razão para ter decretada falência. Os agricultores começaram a procurar pela vida na cidade e buscaram outros tipos de trabalho, como no comércio e na área de prestação de serviços.

Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro

“Os mais velhos que sempre viveram nos sítios, quando ficaram numa situação melhor de dinheiro, preferiram morar na cidade e mais para frente a crise da lavoura também fez o pequeno agricultor difícil de sobreviver no campo”, comenta Hayachida.

No Brasil, o governo não garantia e não garante nada aos agricultores. O que torna ainda mais difícil a vida no campo nas épocas de vaca magra como da vaca gorda. É desgastante e dificultoso!

Foto: “Um olhar sobre a presença japonesa em Ourinhos” – livro

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