Uísques japoneses viram sensação entre brasileiros; entenda as diferenças

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Uísques japoneses viram sensação entre brasileiros; entenda as diferenças

O joalheiro Jack Vartanian tem mais de 40 uísques japoneses no bar de sua casa em São Paulo. São mais sutis, delicados e perfumados do que os escoceses. Acabei me viciando, virou um ritual tomá-los diluídos com gelo, até acompanhando sushis, diz. Outra coleção com mais de 40 rótulos é a do investidor paulistano Ivo Kos. Dr. Marcelo Cury, cirurgião vascular (e mixologista nas horas vagas), chegou há pouco do Japão com quatro rótulos para acrescentar a sua seleção.

Nenhum outro destilado inspira maior fervor entre bebedores sérios, exceto, talvez, as cachaças artesanais – ou você conhece alguém que tenha em casa meia centena de gins? São mais clean, mais fáceis de tomar do que os escoceses, explica Kos. Os aficcionados elogiam também a elegância e a fineza aromática, mas reclamam da escassez no mercado e do preço que só sobe.

É dose: Jack  Vartanian aprecia uma dose de uísque japons (Foto: Victor Affaro)
É dose: Jack Vartanian aprecia uma dose de uísque japons (Foto: Victor Affaro)

O uísque japonês surgiu nos anos 1920, depois que um químico levou o know-how escocês para seu país natal. Durante décadas, o scotch versão asiática teve pouca saída. Aí em 2003 o filme Encontros e Desencontros mudou o jogo. Nele, Bill Murray era um ator contratado para estrelar uma propaganda de um uísque da Suntory. Provocou uma febre de uísques made in Japan, principalmente nos Estados Unidos.

A coisa estourou em 2015. Foi quando o crítico Jim Murray, que publica anualmente a Whisky Bible (Bíblia do Uísque), elegeu o Yamazaki Sherry Cask 2013 o melhor single malt do mundo. Bomba! Nunca uma marca japonesa ganhara nessa competição. Aí a bebida virou vítima de seu próprio sucesso.

Os japoneses aumentaram a produção, mas tinham um problema: os obrigatórios anos de envelhecimento. Destilarias passaram a importar uísques já maturados de países como Canadá e Escócia para adicionar a seus blends. Walter Celli, CEO para a América Latina da Beam Suntory, dona de várias destilarias, diz: Há uma defasagem muito grande, principalmente de nossos uísques feitos 100% no Japão, como Hibiki, Yamazaki e Hakushu.

Hoje a seca vai chegando ao fim. A Beam Suntory acaba de lançar por aqui o Chita – uísque à base de milho com três estágios de maturação – a cerca de 400 reais a garrafa. Em julho, a empresa lançará mais duas marcas, descritas por ele como top-end.

É dose: Um dos single malts Yamazaki da Beam Suntory em primeiro plano (Foto: Victor Affaro)
É dose: Um dos single malts Yamazaki da Beam Suntory em primeiro plano (Foto: Victor Affaro)

Celli diz que a demanda no Brasil só vai crescer. O expert Maurício Porto concorda. Ele abandonou a carreira de advogado este ano para dedicar-se ao Caledônia, novo bar de uísques em São Paulo. Dos 140 rótulos que o bar oferece, apenas um é japonês.

Há quem diga que o aumento da produção vai suprir a demanda – mas é pouco provável. Quer um conselho? Compre marcas como a supercultuada Nikka – e compre logo. Dessa moda a gente só viu, por enquanto, a pontinha do iceberg.

Três Uísques, Três estilos

Eis aqui uma Seleção de marcas japonesas top e bem distintas para você provar já

– Nikka
Destilaria fundada pelo primeiro japonês que foi à Escócia aprender a fazer uísque. São como joias. O cuidado vai desde a água à embalagem, diz Marcelo Cury. Desde o menos caro ao top de linha, se é Nikka, é bom.

– Hibiki
Luxo e sofisticação são as palavras-chave. Segundo Vartanian, é a marca que mais faz sucesso – o lindo formato da garrafa que lembra um perfume ajuda. A gama vai do Japanese Harmony até o caríssimo Hibiki 30 anos.

– Kakubin
Era a marca que mais fazia sucesso no Brasil até sumir do mercado. Ótima porta de entrada por no estar entre as mais caras. Kakubin com soda é um dos drinks preferidos dos japoneses.

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