Chuvas na Bahia: Bolsonaro recusa ajuda dos argentinos, mas aceita a dos japoneses

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Chuvas na Bahia: Bolsonaro recusa ajuda dos argentinos, mas aceita a dos japoneses

O presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou em suas redes sociais que o governo brasileiro recusou a ajuda humanitária oferecida pela Argentina às vítimas das chuvas na Bahia. Segundo Bolsonaro, a oferta de dez homens – os ‘capacetes brancos’, que atuam em operações de socorro – foi feita ao Itamaraty pela Chancelaria Argentina. No entanto, a avaliação foi a de que a ajuda não é necessária no atual momento, pois o serviço ofertado já é prestado pelas Forças Armadas e a Defesa Civil. Governador do Estado, Rui Costa (PT) rebateu dizendo que aceitará ofertas feitas por outros países de forma direta, ou seja, “sem precisar passar pela diplomacia brasileira“.

Em uma sequência de postagens, Bolsonaro afirmou mais cedo que o País está aberto a ajuda e doações internacionais, mas ressaltou que o trabalho de assistência à população já está sendo realizado, “inclusive com o apoio de três helicópteros da Marinha“. Contudo, Bolsonaro não descartou a possibilidade de aceitar a ajuda no futuro, quando a Argentina “poderá ser acionada oportunamente, em caso de agravamento das condições“.

A recusa da ajuda do governo argentino pegou de surpresa o petista, que já havia feito uma publicação no Twitter agradecendo o auxílio do país vizinho. “Agradeço aos argentinos e peço ao governo federal celeridade na autorização para a missão estrangeira“, publicou .

Crítico de como o governo vem conduzindo as ações relacionadas à tragédia, com recursos insuficientes e sem a presença do presidente, Costa afirmou que sua gestão “reconstruirá todas as casas e as cidades que foram destruídas” com as chuvas na Bahia. “Vamos estabelecer prioridades e, ao longo de 2022, em parceria com os municípios, nós vamos garantir uma moradia digna às pessoas“, assegurou.

Japoneses

Diante das críticas, o presidente Bolsonaro também foi ao Twitter para dizer que aceitou doações feitas pelo governo japonês. Ele afirmou que o Itamaraty aceitou doações da Agência de Cooperação do Japão (JICA), como barracas de acampamento, colchonetes, cobertores, lonas plásticas, galões plásticos e purificadores de água. “Eles chegarão à Bahia por via aérea e/ou serão adquiridos no mercado brasileiro”, disse.

As repercussões negativas também levaram aliados e filhos às redes para publicar mensagens que afirmam a disposição do governo em ajudar a Bahia. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos filhos do presidente, publicou um vídeo com imagens do pai sobrevoando áreas atingidas por desastres naturais em outras oportunidades desde 2018. A última imagem é justamente do sobrevoo feito na região baiana atingida pelas chuvas, mas em 12 de dezembro.

Sem conflito

O embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Scioli, afirmou que o governo brasileiro não precisaria custear nenhuma despesa da ajuda humanitária oferecida a vítimas das chuvas na Bahia. A oferta foi rejeitada, por via diplomática, pelo presidente Jair Bolsonaro. “A Argentina arcaria com os custos”, disse Scioli ao Estadão. Ele negou conflito político entre os países.

Segundo o embaixador, a resposta por escrito do Ministério das Relações Exteriores foi dada e recebida nos “melhores termos” e coincidem com o espírito de fortalecimento da relação bilateral. “O governo argentino dá grande importância e consideração à relação com o Brasil e ainda mais numa questão humanitária. Por isso, imediatamente o chanceler Santiago Cafiero me instruiu a colocar os ‘capacetes brancos’ à disposição do Governo da Bahia e do governo federal.”

Scioli não quis comentar se as diferenças políticas entre Bolsonaro e Fernández, presidente de esquerda aliado político do PT e de Rui Costa, teriam influenciado na decisão do Palácio do Planalto: “Não quero me intrometer. Mas falo pela minha experiência política, quando há questões humanitárias, como a que ocorreu com a tragédia dessas chuvas intensas, temos que deixar de lado diferenças ideológicas e unir esforços. As pessoas esperam respostas a essa situação desesperadora nas casas”. (Fonte: Estadão)

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